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A história do basquete: do ginásio de Springfield ao Rio Grande do Sul
Conhecimento6 min de leitura01 de abril de 2026

A história do basquete: do ginásio de Springfield ao Rio Grande do Sul

Em 1891, um professor canadense inventou o jogo para o inverno. Mais de 130 anos depois, o esporte move paixões em todo o Rio Grande do Sul.

O início de tudo: uma cesta de pêssego e 13 regras

Era dezembro de 1891. O professor canadense James Naismith, lecionando na Escola de Springfield, nos Estados Unidos, precisava de uma atividade para manter seus alunos ativos durante o frio do inverno. Em menos de uma hora, escreveu 13 regras e pediu que o zelador do ginásio instalasse duas cestas de pêssego nas extremidades da quadra. Estava inventado o basquetebol.

O primeiro jogo aconteceu com 18 alunos divididos em dois times de nove. Não havia dribble, não havia time de jogo e a bola precisava ser recuperada manualmente da cesta a cada ponto marcado — afinal, o fundo ainda não havia sido recortado. Mas a essência estava ali: movimentação, arremesso e equipe.

O esporte chega ao Brasil

O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a conhecer o basquete. Em 1894, o norte-americano Augusto Shaw, formado em Yale, trouxe o esporte na bagagem ao aceitar um convite para lecionar no Mackenzie College, em São Paulo. Três anos depois, a modalidade já se espalhava pelo Rio de Janeiro e por Minas Gerais.

O primeiro torneio organizado foi o Campeonato Paulista de 1924. Em 1933, nasceu a Federação Brasileira de Basketball — hoje Confederação Brasileira de Basketball (CBB) —, consolidando a organização nacional do esporte.

A Era de Ouro brasileira

Os anos 1950 e 1960 são considerados o período áureo do basquete brasileiro. A Seleção conquistou o título mundial em 1959 e 1963, além das medalhas de bronze olímpico em 1948, 1960 e 1964. O Brasil se transformou em potência mundial.

No feminino, a trajetória também é gloriosa: o Brasil conquistou o Campeonato Mundial de 1994 na Austrália e a medalha de prata olímpica em Atlanta 1996. Nomes como Hortência, Paula e Janeth tornaram-se ícones nacionais.

O basquete chega ao Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul tem uma relação histórica com o basquete. Em 1934 e 1935, equipes gaúchas foram bicampeãs nacionais nos torneios promovidos pela CBD em São Paulo — naquela época, as viagens eram feitas de trem, quatro dias e quatro noites até a capital paulista.

Em 18 de abril de 1952, foi fundada oficialmente a Federação Gaúcha de Basketball (FGB) em Porto Alegre, pelo presidente José Carlos Daut, com apoio de 22 clubes fundadores — entre eles Grêmio, Internacional, SOGIPA e times de Santa Maria, Rio Grande e Lajeado.

Hoje, a FGB organiza campeonatos nas categorias Sub-12, Sub-13, Sub-14, Sub-15, Sub-16, Sub-17, Sub-19, Adulto e 3x3, levando o basquete a ginásios em todo o estado e revelando talentos que chegam às seleções brasileiras.

O basquete hoje: crescimento e tecnologia

Em 2026, a CBB apresentou o maior calendário da história do basquete brasileiro, reunindo competições nacionais, estaduais e internacionais ao longo de toda a temporada. O NBB — Novo Basquete Brasil — chegou à sua 18ª edição com 20 clubes, recorde histórico, incluindo o União Corinthians (RS) e o Caxias do Sul Basquete entre os representantes gaúchos na elite nacional.

O basquete que começou com uma cesta de pêssego em Springfield agora move arenas, forma atletas e une comunidades em todo o Rio Grande do Sul. E a FGB está no centro dessa história.

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